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Senadora Eliziane Gama enfrenta desafios para reconquistar evangélicos

REJEIÇÃO TOTAL

Senadora Eliziane Gama enfrenta desafios para reconquistar evangélicos
Senadora Eliziane Gama enfrenta desafios para reconquistar evangélicos (Foto: Reprodução)

A senadora Eliziane Gama (PSD-MA), conhecida por sua trajetória política e filiação à Igreja Assembleia de Deus, enfrenta um momento delicado em sua relação com o público evangélico. Apesar de sua longa história como membra ativa da denominação, onde atua como professora de escola bíblica dominical, a parlamentar tem encontrado resistência em reconquistar a confiança de parte significativa desse segmento, especialmente após posicionamentos políticos que a alinharam mais à esquerda do que aos valores conservadores tradicionalmente defendidos pela igreja.

Recentemente, durante um evento da Assembleia de Deus em Santa Inês, no Maranhão, a menção ao nome da senadora foi recebida com silêncio e indiferença pelos presentes, um contraste marcante com a calorosa recepção à deputada Mical Damasceno (PTB), amplamente ovacionada. O episódio reflete o descontentamento de setores evangélicos com a postura de Eliziane, que, para muitos, representa uma traição aos princípios que a comunidade religiosa espera de seus representantes políticos.


Contexto do rompimento

A tensão entre Eliziane Gama e a liderança evangélica não é recente. Em 2022, a senadora foi alvo de uma nota de repúdio da Convenção Estadual das Igrejas Evangélicas Assembleia de Deus no Maranhão (Ceadema) após declarar apoio ao então candidato Luiz Inácio Lula da Silva (PT) no segundo turno das eleições presidenciais. A decisão foi vista como uma afronta, já que a Ceadema e a Convenção Geral das Assembleias de Deus no Brasil (CGADB) haviam oficializado apoio à reeleição do presidente Jair Bolsonaro (PL), alinhado aos valores conservadores defendidos pela denominação.

Na ocasião, a Ceadema criticou a senadora, afirmando que ela demonstrava “falta de compromisso” com os princípios da igreja, incluindo a defesa da família tradicional e o combate à corrupção. Eliziane, por sua vez, defendeu sua liberdade de escolha e pediu a retirada da nota de repúdio, argumentando que o documento era incompatível com os valores cristãos de tolerância e respeito.


Reação da comunidade evangélica

O evento em Santa Inês é um indicativo de que o desgaste persiste. A indiferença à menção de seu nome sugere que a senadora enfrenta dificuldades para reconstruir pontes com a base evangélica, que historicamente foi fundamental para sua ascensão política. A ovação à deputada Mical Damasceno, filha do pastor Pedro Aldi Damasceno, presidente da Ceadema, reforça a preferência da comunidade por figuras alinhadas aos posicionamentos mais conservadores.

Além disso, a senadora tem sido criticada por sua atuação como relatora da CPMI do 8 de Janeiro, onde defendeu a tese de uma tentativa de golpe contra a democracia, o que gerou embates com parlamentares bolsonaristas. Essa postura intensificou as acusações de que Eliziane se afastou dos valores evangélicos em favor de uma agenda progressista, especialmente por sua proximidade com o ministro da Justiça, Flávio Dino, aliado político no Maranhão.

Desafios políticos à vista

Sem o apoio sólido da base evangélica, da oposição e, agora, com resistências no Palácio dos Leões, Eliziane Gama enfrenta um cenário complexo para manter sua influência política. A senadora, que já foi cotada para cargos como a vice-presidência na chapa de Simone Tebet (MDB) em 2022 e até para a presidência do Senado, precisa agora buscar estratégias para reconquistar a confiança de um eleitorado que se sente traído.

A epopeia de Eliziane para se manter relevante no cenário político maranhense e nacional dependerá de sua capacidade de dialogar com a comunidade evangélica e demonstrar que suas ações refletem os valores que ela afirma defender, como a luta contra o aborto e a proteção à família. Enquanto isso, a falta de apoio da igreja e as críticas públicas, como as vistas em Santa Inês, sinalizam que o caminho será árduo.

A senadora ainda não se manifestou publicamente sobre o evento em Santa Inês, mas a expectativa é de que novos desdobramentos surjam à medida que ela tenta reconstruir sua relação com a comunidade evangélica. O futuro político de Eliziane Gama dependerá de sua habilidade em navegar essas tensões e reconquistar a confiança de um segmento que já foi sua principal base de apoio.

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